• LuizALCarvalho

Autenticidade e Transparência na Rede

Para Baudrillard (2001) vivemos em uma sociedade em rede que é uma alucinação coletiva em que uma hiper-realidade, que é pura simulação, substitui a realidade, que nunca mais terá oportunidade de se produzir e ele ainda acrescenta que é tudo proposital.


Em tal “deserto do real”, ainda para o referido filósofo, o que dizer sobre a confiabilidade dos conteúdos da rede? Não há como confiar em informações que não condizem com a realidade, além disso com a rede disponível em todo lugar 24 horas por dia, perde-se a noção de espaço e de tempo e na maioria das vezes não se sabe sua origem (espaço) e nem quando surgiram (tempo), diminuindo o crédito dado à informação e impossibilitando também identificar conhecimento novo, num momento em que, no pensamento de muitos, se pensa em sociedade do conhecimento, em que este último é tratado como mercadoria e base dessa nova economia.


É preciso se cercar de sites confiáveis e confirmar toda informação e autoria antes de utilizá-la e principalmente propagá-la.


Casos, como o dos “Chinese Boys”, mostram que qualquer um pode ser o que quiser, inclusive para diversão própria ou dos outros e isto é, a princípio, puro entretenimento, diversão, mas também motivo para ser seguido por milhares de pessoas, ser um “youtuber” o que é uma nova atividade econômica acessível a qualquer pessoa que considere ter um conteúdo atrativo e o divulgue na rede.


Neste caso é importante saber que seguir um autor é projetá-lo, dar-lhe mais visibilidade na rede, muitas vezes valorizando conteúdos de má qualidade ou mesmo publicados de forma indevida.


Em outra situação há a celebração de conquistas pessoais, eventos familiares ou mesmo institucionais, em que feitos geralmente são muito aumentados ou até forjados em redes sociais, muitas vezes para simples promoção, muitas vezes inocentemente, mas há casos em que danos materiais ou morais são causados, quando informações falsas ou enganosas dizem respeito a produtos ou serviços.


Nestes casos é importante conhecer as avaliações de outros usuários, “likes”, “dislikes” e “comments” são essenciais para tomar uma decisão de compra ou de compartilhamento de uma informação para sua rede pessoal. Também é importante contribuir, avaliar uma compra ou informação faz parte da netiqueta.


Organizações públicas e privadas distorcem informações para o público conforme seus interesses, exércitos transformam derrotas militares em vitórias, encobrem baixas civis, autoridades enviezam ou mesmo pervertem declarações (conteúdo) e ainda, como saber se são quem dizem ser? (autenticidade).


Atenção aos domínios dos sites que se visita, para verificar sua coerência com marcas e nomes de organizações, preferir aqueles qualificados como seguros tecnologicamente, não baixar conteúdo desconhecido que pode conter virús e outras ameaças às informações pessoais ou organizacionais, isso faz parte da defesa de quem está na rede, diante da falta de confiabilidade de tudo que está publicado por aí.


E há ainda outros motivos para informações não serem confiáveis: há o perigo das pessoas identificarem-se, justamente porque a rede não é um lugar seguro, informações verdadeiras podem ser apropriadas e utilizadas para causar danos às pessoas, suas famílias ou seus patrimônios, então se omite ou disfarça informação.


Os sistemas computacionais financeiros têm presença na “WEB”, mais e mais operações do mundo real são transferidas para a rede: pedidos de compras, pagamentos, transferências financeiras, aplicações, entre outros. Tudo isso torna essencial o cuidado com a segurança e a atenção à outra ponta da comunicação e cria mais profissões ligadas à revolução digital, voltadas às redes, encriptações, performance e ciência de dados.


Atualmente ditaduras já testam redes nacionais fechadas, limitadas a suas fronteiras, para controle da informação. Que confiabilidade terá a informação consumida nessas áreas ou nelas originadas? Os recursos, ou no mínimo a liberdade para contestar as informações, serão muito menores.


Capacitar melhor o cidadão digital é o meio mais eficaz para que ele esteja menos à mercê da informação não confiável e também para que ele não seja fonte desse tipo de informação.


Hoje essa capacitação deve começar na escola, onde, para Stoer e Magalhães (2003) a construção da identidade digital do estudante, que passa pelos portões de qualquer organização com um celular no bolso, será também a construção da sua própria cidadania, que hoje é em grande parte digital.


O novo cenário educativo do Espaço Europeu da Educação Superior (EEES) já mira, além da apropriação de conhecimento técnico-científico, em competências gerais que todos devem desenvolver numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida e convivência na sociedade em rede.


Bibliografia

Baudrillard, J. (2001) Simulacros e Simulação. 2ª edição. Lisboa: Relógio d’Água.

Stoer, Stephen R. & Magalhães, Antonio M. (2003) Educação, Conhecimento e A Sociedade em Rede.

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